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Textos e manchetes da mídia nacional e estrangeira selecionados por Celia Bensadon

Na madrugada de quinta-feira (dia 17 de maio), a Sociedade Israelita de Pelotas, cidade que fica a 270 km de Porto Alegre, foi alvo do quinto atentado desde novembro do ano passado. Paredes da sinagoga inaugurada há 90 anos foram pichadas com mensagens de apoio à causa palestina como “Palestina Livre”, inclusive com ameaças à comunidade de uma “Intifada Internacional” e dizeres “aguardem”.

Além das mensagens, houve também a tentativa de incendiar o prédio, utilizando um líquido inflamável que foi despejado sob o portão principal da instituição. Por sorte, o fogo não se alastrou, gerando pequenos danos materiais na entrada do prédio.

“A Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS) e a Confederação Israelita do Brasil (Conib) já tomaram as devidas providências junto às autoridades policiais responsáveis pela investigação e punição dos autores deste ato criminoso de violência e intolerância religiosa”, disse o presidente da Conib, Fernando Lottenberg a fim de identificar os responsáveis e garantir a segurança da comunidade. “É alarmante que a tensão no Oriente Médio se traduza em ataque contra a comunidade judaica brasileira”.

O presidente da FIRS, Zalmir Chwartzmann, declarou: “Não toleraremos esse tipo atitude, um atentado dessa magnitude é uma afronta contra o estado democrático de direito, contra a liberdade de expressão e de religião, além de ser um alerta de que os discursos de ódio estão passando da teoria para a prática, importando um conflito que não é dos brasileiros e colocando em risco toda a nossa sociedade”

Esta já é a terceira ocorrência em Pelotas que conta com uma comunidade judaica de cerca de 70 famílias que tem na Sociedade Israelita de Pelotas (SIP) o seu espaço comunitário e sua sinagoga. A primeira delas envolveu tentativa de incêndio ao prédio que a entidade ocupa há cerca de 90 anos. A última ação ocorreu há duas semanas, quando a sede foi pichada com as mesmas frases e “Lula livre”.

O conselheiro do Centro, Simon Albert, 82, diz que a caligrafia das pichações indica que elas podem ter sido feitas pelo mesmo autor. Como a região não possui câmeras de segurança, a identificação dos responsáveis se tornou mais difícil. Ele diz que, como toda a cidade tem pichações do gênero, era questão de tempo até algo acontecer na sede.

“Com fogo [nesta madrugada] a coisa ficou mais complicada. É perigoso, nosso prédio é um prédio antigo. O volume de gasolina deve ter sido pequeno, mas poderia ter atingido prédios antigos, próximos ao nosso. A casa ao lado é um [imóvel] residencial”, diz ele. Segundo Albert, em Pelotas as religiões sempre conviveram bem.

O Rio Grande do Sul possui uma comunidade de cerca de 11 mil judeus, segundo a Federação Israelita gaúcha. É a terceira maior do país, atrás apenas de S. Paulo e Rio de Janeiro.

Para o presidente da entidade, Zalmir Chwartzmann, 67, o ato desta semana teve conotação de um atentado terrorista, por ter sido realizado em um local de oração, a sinagoga da cidade. “O conflito do Oriente Médio terá que ser resolvido no Oriente Médio. A comunidade judaica brasileira tem se pautado, desde sempre, por não aceitar e entender que é errado importar o conflito para o Brasil”, diz ele. “A forma que a gente pode ajudar é mostrando que é possível conviver em paz e respeitar as diferenças. Certamente, com esse tipo de atitude, essas pessoas não contribuem em nada e só permitem que o ódio aflore”.

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